Santa Menina é o mais novo filme de Lucrecia Martel, roteirista e diretora argentina do aclamado e polêmico O Pântano (La Ciénaga), exibido recentemente no Brasil. O filme tem produção executiva de Pedro Almodóvar e fala sobre amor, sexo, vocação e as descobertas da adolescência, através do cotidiano de duas meninas.
Amália (María Alche) e Josefina (Julieta Zylberberg) são duas amigas de 16 anos que vivem numa cidade do interior da Argentina. Josefina pertence a uma família conservadora e Amália mora num grande hotel gerenciado por sua mãe divorciada, Helena (Mercedes Morán, de Diários de Motocicleta e O Pântano), e por seu tio Freddy (Alejandro Urdapilleta). As duas estudam e fazem parte de um coral católico, onde todos costumam discutir fé, religião e vocação após os ensaios. A questão principal das discussões é "o que Deus quer que cada um de nós faça?". Além disso, os hormônios de Amália e Josefina estão em ebulição e, cheias de curiosidade, elas começam a buscar suas primeiras experiências sexuais.
O hotel sedia um congresso de medicina e, entre muitos médicos presentes, o dr. Jano (Carlos Belloso) chama a atenção de Helena. Ele, apesar de ser casado, também parece se interessar por ela. Porém, o tímido médico conhece a jovem Amália em circunstâncias peculiares: ele se encosta nela por trás durante uma apresentação musical de rua, sem saber que ela é filha da dona do hotel. Apesar de atraído por Amalia, o dr. Jano luta contra sua luxúria, que pode pôr sua carreira e seu casamento em risco. As duas amigas então percebem que a vocação delas é salvá-lo de seus desejos proibidos.
Santa Menina vai apresentando os personagens aos poucos, e revelando seus sentimentos com muita sutileza. A tensão sexual pulsa entre eles, mas sempre sob a superfície, nunca explicitamente. Olhares, gestos e intenções são mostrados com economia e a narrativa é cheia de um humor que se delicia com o embaraço das situações. Amália é mostrada como uma Lolita diferente, que se preocupa tanto em descobrir o sexo quanto com as conseqüências filosófico-religiosas de seus atos. O dr. Jano é como a figura mitológica que lhe inspirou o nome: uma criatura de duas faces, dividido entre ser um médico respeitável e um pai de família decente ou dar vazão aos seus impulsos libidinosos proibidos, que lhe perturbam a consciência. Josefina também representa os desejos proibidos, só que nela reprimidos por uma criação conservadora católica. E Helena, apesar de formar um triângulo amoroso com a filha e o doutor, está muito além de uma simples "mãe de Lolita", pois tem uma personalidade forte e é uma mulher sedutora. Enfim, Santa Menina pode muito bem ser descrito como um Nabokov latino-americano, que se encantou com os desejos de Almodóvar. (Oswaldo Lopes Jr.)
Santa Menina estréia hoje, às 16h, no Espaço Unibanco 1, e terá outras três sessões:
| Domingo 26/09/2004 |
Espaço Unibanco 1 |
21:00 hs |
UN114 |
Terça 28/09/2004 |
Estação Ipanema 2 |
14:00 hs |
IP217 |
Quarta 29/09/2004 |
Est Barra Point 2 |
19:00 hs |
BP223 |
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