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Carmen de Aranda

Carmen, uma das mais famosas personagens da literatura e do cinema mundial, continua arrebatando (e destruindo) corações desde o lançamento do livro homônimo de Prosper Merimée, em 1845. Popularizada pela ópera de Bizet e eternizada em mais de cinqüenta produções audiovisuais, em poemas, peças de teatro e obras de artistas plásticos, ela acaba de ganhar mais uma montagem para o cinema. Dirigida pelo diretor espanhol Vicente Aranda e protagonizada pela atriz Paz Vega, Carmen (2003) é parte da Mostra Panorama, do Festival do Rio 2004.

A versão moderna do clássico começa seguindo a original e apresenta Merimée como um viajante-narrador, em uma de suas incursões pela Espanha. Durante uma tarde, quando buscava um lugar para repousar, ele tem seu primeiro contato com o atormentado Don José (Leonardo Sbaraglia). Sem conhecer sua história, ele divide sua refeição e charutos com o homem que teve sua vida destruída ao se apaixonar por Carmen. A única informação que recebe de seu guia espanhol é que se trata de um assassino, que foi banido da cidade.

Ao visitar uma igreja, Merimée acaba por encontrar a cigana, uma belíssima jovem em sensuais trajes vermelhos e pretos, que se diz filha do diabo. Ela o convence a ver sua sorte nas cartas, mas as previsões são interrompidas com a chegada de seu amante, que expulsa o escritor. José reconhece o francês, mas manda-o embora. Eles voltam a se encontrar alguns dias depois quando Merimée descobre que José foi preso. Em seu cárcere e à beira de sofrer a pena de morte, ele conta para o atento ouvinte sua história.

Apesar do conhecido desfecho trágico, o longa-metragem marca pela atenção dada ao relacionamento amoroso e à paixão inflamada do casal. Com muitos tons vermelhos e amarelos e cenas tórridas de sexo, é trazido para a tela o lendário calor espanhol. Tudo isso com a ajuda da beleza natural da atriz Paz Vega, que aparece em diversos nus, inclusive frontais.

Dupla sensual

Para viver o casal protagonista de seu vigésimo quarto filme, Vicente Aranda, também diretor de Os Amantes (1991) e Paixão Turca (1994), escolheu dois destacados jovens (e belos) atores, o argentino Leonardo Sbaraglia, de 34 anos, e a espanhola Paz Vega, 28.

Paz Vega começou sua carreira em 1999, com os filmes Zapping, Sobreviviré e Nadie Conoce a Nadie. Dois anos depois recebeu o Goya de Atriz Revelação, por sua atuação no sensual Lucia e o Sexo, de Julio Medem. No Brasil, tornou-se conhecida por sua participação em Fale com Ela, de Pedro Almodóvar. Seu último filme exibido no país foi o musical O Outro Lado da Cama, de Emilio Martínez Lázaro.

Já Leonardo Sbaraglia é conhecido aqui como um dos protagonistas do drama Plata Queimada, embora acumule uma longa carreira no cinema argentino. Ele estreou no cinema espanhol em 2001, quando conquistou um Prêmio Goya de Melhor Ator Revelação por sua atuação no thriller Intacto, de Juan Carlos Fresnadillo.
 
Apaixonados por Carmen

Além das dezenas amantes que povoam a ficção de Merimée, na vida real Carmen teve adoradores de peso. Não morreria de ciúmes o apaixonado José ao saber que os diretores Cecil B. Mille, Jean-Luc Godard, Carlos Saura, Francesco Rosi, Charles Vidor, dentre outros lhe dedicaram filmes? Por sua carga dramática e elementos como amor, paixão, sexo, ciúmes e assassinato, a história da indomável cigana já foi produzida em países como a Argentina, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Itália, México, Suécia, Eslovênia e etc. Isso tudo sem contar as infinitas montagens da ópera de Bizet, que estreou pela primeira vez em março de 1875, feitas anualmente em várias partes do planeta.

Nas artes plásticas, Carmen foi desenhada por ninguém menos que o genial Pablo Picasso, que em 1949 lançou uma edição de apenas 320 exemplares de ilustrações sobre a história da cigana, junto com Gustave Doré. No Brasil, o polêmico diretor teatral Gerald Thomas criou em 1986 o espetáculo "Carmen com Filtro", com Bete Coelho no papel principal, dando também sua versão para o mito (Dominique Valansi).

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