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Um dia sem mexicanos


Um dia sem mexicanos é o primeiro longa-metragem do cartunista, músico e filmmaker mexicano, de 53 anos, Sergio Arau. O filme foi baseado no curta-metragem homônimo de 1998, dirigido e co-escrito por Sergio. Vencedor do prêmio de Melhor Filme na estréia do Festival de Cinema Mexicano e Ibero-Americano de Guadalajara de 2004, o longa conta a história de uma Califórnia imersa numa situação de total caos social, político e econômico após o misterioso desaparecimento de todos os hispânicos da região - correspondentes a um terço da população.

Tudo começa quando, numa manhã, as autoridades recebem inúmeros telefonemas relatando o desaparecimento, sem pistas, de um imenso número de pessoas. Os desaparecidos tinham em comum origens hispânicas (não eram necessariamente mexicanos, ao contrário da generalização norte-americana de costume).

Para agravar o trágico cenário, um muro de névoa rosa isola a Califórnia, mergulhando o estado em situação de sítio. Incomunicáveis com o resto do mundo e sem conseguir encontrar solução, as autoridades procuram qualquer explicação para o lamentável fenômeno. Especialistas de todos os gêneros oferecem as mais diversas justificativas, de terrorismo biológico ao apocalipse, passando até por abduções alienígenas.

Dotado de uma fotografia muito simpática, o filme, que ora lembra um episódio de Além da Imaginação, ora se parece com um dramalhão... mexicano, questiona, de forma extremamente bem-humorada, a noção de "sonho americano" e denuncia a situação dos imigrantes e o tratamento que lhes é conferido nos EUA.

Uma forte crítica social permeia toda a trama, à medida que os americanos do filme vão percebendo que não conseguem viver sem as facilidades e o bem-estar proporcionados pelos 13 milhões de chicanos sumidos, e começam a se sentir à beira de uma catástrofe. Por vezes lembra um documentário a la Michael Moore, pipocando na tela números contundentes da realidade socio-econômica dos hispânicos na Califórnia.

Um dia sem mexicanos (uma co-produção México-Espanha finalizada este ano) vem se mostrando polêmico mesmo antes de seu lançamento comercial: grupos pelos direitos dos imigrantes nos Estados Unidos consideraram a frase "No dia 14 de maio, não existirão mexicanos na Califórnia", que consta de pôsteres promocionais, uma manifestação de ódio em relação à comunidade latina. (Isabela Alzuguir)

Integrante da Première América Latina, o filme estréia no próximo sábado, 25, às 18h30, e terá mais três sessões:

   Sábado - 25/09/2004 Espaço Unibanco 1 23:00
Domingo 26/09/2004    Est Barra Point 2 16:30
Quinta 30/09/2004 Estação Ipanema 2 14:00

 

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