Coffee and Cigarettes, último filme do norte-americano Jim Jarmusch, é um festival de ícones da cultura pop. O diretor construiu um longa-metragem a partir de 11 curtas filmados ao longo de 17 anos, que têm em comum incontáveis xícaras de café e maços de cigarros, quase sempre dispostos em toalhas quadriculadas.
A primeira cena, com os atores Roberto Benigni (de A Vida é Bela) e Steven Wright (de Assassinos por Natureza e Cães de Aluguel), tem 6 minutos e foi filmada em 1986, como um segmento para o programa Saturday Night Live. A partir daí, Jarmusch decidiu filmar outros esquetes com atores, diretores de cinema e músicos famosos interpretando eles mesmos em situações surreais – sempre regadas a café e cigarros.
Os personagens vão desde Iggy Pop (uma das figuras mais influentes da história do rock), passando pelos atores Steve Buscemi e Bill Murray até os músicos Meg e Jack White - os White Stripes (foto). Em diálogos muitas vezes bizarros, os temas discutidos são os mais variados, como o uso da nicotina como inseticida, as invenções de Nikola Tesla, picolés de cafeína, Paris na década de 1920, Abott & Costello e a ressurreição de Elvis Presley.
Jarmusch, que tem 51 anos, deixa sua nítida marca em todas os esquetes – seja pela excelente trilha sonora, que inclui jazz e clássicos do rock (como canções dos Stooges, banda fundada por Iggy Pop), seja pelos cenários cheios de estilo ou pelo humor peculiar dos diálogos.
Coffee and Cigarettes, que participou da seleção oficial do Festival de Veneza de 2003, mostra o quão interessantes podem ser pequenos vícios, alegrias e obsessões do cotidiano, se observados com cuidado. Tanto as piadas e estranhas discussões quanto os cigarros e as xícaras de café conferem às diferentes conversas uma unidade natural e ao mesmo tempo curiosa (ou nem tanto). (Isabela Alzuguir).
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