Integrante da mostra Midnight Movies, o documentário Metallica: A Música e o Monstro (Metallica: Some kind of monster) levou antigos e novos fãs à esgotada sessão de estréia. Vestidos com camisetas da banda, os animados fãs cantaram ao longo de todo o filme, homenageando um dos grupos de heavy metal de mais sucesso no planeta. Em vinte e dois anos, o Metallica lançou onze álbuns e vendeu mais de 85 milhões de discos. Mostrando também algumas imagens do início de carreira, o documentário faz uma retrospectiva da história da banda, utilizando-se do longo e conturbado período de produção de St. Anger, álbum mais recente do Metallica.
Logo no início das filmagens, o baixista Jason Newsted decide abandonar a banda e seguir com o Echobrain, seu novo projeto. Newsted substituiu Cliff Burton, primeiro baixista do Metallica, morto em 1986 num acidente na Suécia. Os outros integrantes, James Hetfield, Lars Ulrich e Kirk Hammet, decidem continuar a produção do disco, com o produtor Bob Rock no baixo. No dia 24 de abril de 2001, o Metallica inaugura o "presídio", nome dado ao galpão alugado para as gravações do novo álbum, sem ter sequer um riff pronto. Na tentativa de melhorar o relacionamento entre os músicos (que nunca foi fácil), a produtora Q-Prime contrata o terapeuta Phil para ajudá-los durante as gravações.
O clima agradável do primeiro momento é substituído, após breve período de férias (quando Hetfield vai para a Sibéria caçar ursos) por grandes desentendimentos. Tudo isso em meio a crises criativas e constantes trocas de farpas entre o baterista (Ulrich) e o vocalista (Hetfield). Sempre demonstrando ser o mais equilibrado, o guitarrista Hammet tenta acalmar os ânimos dos companheiros. Apelidada por alguns de Alcohollica, a banda é famosa pelo abuso de álcool dos seus integrantes. Hetfield tem que ser internado numa clínica de reabilitação e o trabalho é suspenso.
Enquanto o vocalista não volta e com o futuro da banda incerto, Ulrich processa o Napster (extinto programa de compartilhamento de mp3) e vibra com o leilão milionário de alguns de seus quadros. O clima hostil não é amenizado nem com a ausência de Hetfield. As brigas são constantes, incluindo até Dave Mustaine (integrante do Metallica no início da banda em 82, de onde saiu para fundar o Megadeath no ano seguinte), convidado para uma das sessões de terapia. Episódios que muitas vezes deixam o documentário com ares de pura "lavagem de roupa suja".
Catorze meses após o início das filmagens, James Hetfield volta da clínica e tanto o futuro do documentário quanto o futuro do álbum são discutidos. Após o retorno do vocalista, a banda parece mais produtiva, gravando num novo estúdio. O Metallica segue adiante, mesmo com as intermináveis discussões, e contrata o baixista Robert Trujillo (ex-Ozzy Osbourne) como integrante oficial. Homenageada num programa da MTV, a banda lança St. Anger e grava um clipe numa penitenciária, em alusão ao galpão aonde as gravações haviam começado quase um ano e meio antes.
Depois de três anos sem sair em turnê, a banda retoma a rotina de shows, numa apresentação digna de um grande espetáculo. O que James Hetfield descreve como "o capítulo mais feliz da minha vida". Com o novo álbum no topo das paradas em mais de trinta países, o Metallica dá a volta por cima. É o fim de Metallica: A Música e o Monstro, documentário que vai da decadência ao retorno triunfal da banda, extasiando os fãs e deixando em todos os espectadores um nítido gosto de vídeo promocional nos olhos e nos ouvidos.
(Isabela Alzuguir).