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Quase uma 'Cidade dos Homens' de Johannesburgo

A terceira temporada da série produzida para a TV relata a vida conturbada de jovens da periferia de Johannesburgo. Nos dois episódios aqui exibidos, fica evidente que o racismo está longe de ser o único problema dessa África do Sul que tenta recomeçar sua história. São raras as oportunidades de emprego para os mais pobres, assim como são caras as vagas nas universidades. E as condições de vida são bem difíceis para a maioria da população nacional, em torno da metade dela vive abaixo da linha de pobreza.

Em Yizo Yizo, o mais completo cenário desta situação é o edifício San Jose, do segundo episódio. Lá os moradores já estão fartos de reclamar à proprietária dos vários problemas: corredores alagados, tubulações entupidas, falta de tranquilidade, segurança e respeito.

Como é um produto para a televisão, todas as situações são exploradas numa narrativa rápida, quase vídeo-clipe, com muitos personagens, violência e cenas sensuais. Tudo para atrair a atenção do público jovem - que receberá ao final alguma boa lição moral, ou muitas. Poderíamos traçar alguns paralelos com o nosso Cidade dos Homens. Mas em vez das aventuras de Laranjinha e Acerola, temos uma lista grande de jovens heróis: Zakes, ex-gangster; Thiza, recém-egresso da universidade; Sticks, vendedor ambulante de perfumes (cujo ator tinha a mesma ocupação na vida real); Mantwa, moça imprudente formada nas ruas; Bobo, o rapaz boa-praça; e muitos outros.

No primeiro episódio, uma das questões levantadas é a falta de interesse de alguns jovens em trabalhos manuais. Mas não demora muito e Bobo, que sonhava com a carreira de "pop star", está carregando grandes sacos de carvão. Um trabalho duro e sujo, mas que rende dinheiro limpo e a esperança em seguir os estudos. No segundo episódio, o desafio é sair da casa dos pais. Ir para o centro de Johannesburgo, perto dos estudos, das parcas ofertas de emprego e das mazelas existentes em toda cidade grande - como a criminalidade juvenil. Outros problema são o assédio sexual dentro da família (o país tem o maior índice de estupros em todo o mundo) e a Aids, uma realidade para mais de 4 milhões de pessoas - um em cada nove habitantes da África do Sul.

Ou seja, antes de qualquer juízo de valor sobre o filme, é preciso ver que Yizo Yizo é uma produção educativa que mostra muito da juventude sul-africana. E tem a clara preocupação de que ela se veja e se conscientize dos próprios dramas. (Rodrigo O. Fonseca).

Última sessão de Yizo Yizo:

Quarta 29/09/2004 Espaço Unibanco 3 21:30 hs UN340

 

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