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Guerra sem sensacionalismo

Dois irmãos, Viola e Kokan, se reencontram em meio ao clima pesado da guerra na Macedônia. Viola passou dois anos nos EUA, e não entende o caos reinante em seu país. Kokan é duplamente pressionado: pela família, que deseja que ele vá para os EUA com a irmã, e pelos amigos envolvidos na resistência à ocupação da Otan.

A câmera acompanha os passos dos dois. Viola volta ao seu país com apenas uma expectativa, que guarda em segredo: encontrar sua filhinha de três anos. A menina é fruto de uma história complicada com um diplomata (chefe do irmão mais velho) e a família de Viola não tem o menor conhecimento disso. Ela tenta se aproximar do irmão, para quem acaba se abrindo. Kokan também também acaba revelando um segredo para a irmã: ele está envolvido com grupos terroristas e pretende fazer alguma coisa "grande" pelo seu país. 

Primeiro longa de Teona Mitevska, Como matei um santo é denso do começo ao fim. A diretora passou para a película toda a sua própria experiência. A personagem de Viola é interpretada por sua irmã, Labina Mitevska, que também integrou o elenco de Antes da Chuva (Manchevski, 1994) - filme mais conhecido e premiado da Macedônia.

A sensação de fragilidade diante de toda a loucura da guerra, a falta de perspectivas palpáveis e um sentimento de abandono - tudo isso propicia desespero e testa as relações humanas ao limite. Mesmo o ambiente famíliar não aparece enquanto espaço de refúgio, tão permeável que é diante de toda esta situação. Nela, qualquer passividade se faz sufocante. Que o diga Kokan. As forças da Otan, em vez de estimularem o processo de paz, só provocam mais ódio, inflando radicais nacionalistas e jogando mais pólvora num território já completamente minado, pronto para explodir. Fica a lição de que numa guerra não há santos. Nem milagres. (Rodrigo O. Fonseca).

Leia a entrevista de Teona Mitevska.

 

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