Em 1972, Bernardo Bertolucci chocou e maravilhou o mundo com O Último Tango em Paris, que contava a história de um caso de amor entre as personagens de Maria Schneider e Marlon Brando, com cenas de sexo comentadas até hoje. Em Os Sonhadores (The Dreamers, 2003), Bertolucci retorna a Paris no agitado ano de 1968, em uma história onde o sexo também ocupa um lugar central. Assim como em O Último Tango..., o filme também se passa em um apartamento que vira um "útero" para as personagens, como disse o diretor, onde são desenvolvidas suas descobertas sobre a sexualidade, as relações entre si e o fechamento para o mundo exterior.
Desta vez, as personagens são três: Matthew (Michael Pitt, que está em outros dois filmes do Festival: Olhos de Rinoceronte e Crimes em Wonderland), um estudante americano um tanto deslocado em Paris, e os gêmeos Theo (Louis Garrel) e Isabelle (Eva Green, em sua estréia cinematográfica). Matthew conhece Theo e Isabelle na Cinémathèque Française, ponto de reunião dos cinéfilos parisienses. Os três logo ficam amigos, e uma longa viagem dos pais dos gêmeos é o pretexto para eles passarem longos momentos explorando as possibilidades amorosas e sexuais entre si. Do lado de fora, os conflitos de maio de 68 explodem nas ruas. Porém, além das discussões políticas no apartamento, o que mais parece afetar os três é o fechamento da Cinémathèque.
Os Sonhadores é também uma homenagem à Nouvelle Vague e uma declaração de amor ao cinema. A Cinémathèque não é apenas o ponto de encontro dos três, ela é a grande ligação entre eles, que se conhecem e se relacionam através do cinema. Suas conversas são sempre entrecortadas por citações ou imitações de filmes, que ganham vida misturando-se a imagens dos próprios filmes. Um dos grandes momentos da relação do trio, por exemplo, é a corrida que apostam no museu do Louvre, tentando bater o recorde estabelecido pelos personagens do filme Bande à Part, de Jean-Luc Godard. As referências à Nouvelle Vague, outro ponto de contato com O Último Tango..., completam-se com as participações de Jean-Pierre Kalfon e Jean Pierre Léaud, importantes atores do movimento francês. O último, inclusive, fez uma participação especial no filme de 72. (Felipe Sholl).
Leia aqui o perfil do diretor Bernardo Bertolucci.
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